Dicas de estudo

Eu tenho me preocupado isto desde quando comecei a estudar, conversando primeiro com meus pais, minhas irmãs, colegas, professores e, depois, com meus alunos. Tem algumas pessoas que desenvolvem métodos mais peculiares, de acordo com sua personalidade ou preferências decorrentes do jeito como encaram a vida e o objeto de seu estudo. Algumas coisas são generalizáveis e o que funciona, no Direito, é o seguinte:

1. Estudar não se faz apenas lendo a lei.

A lei é sua amiga, ela vai estar sempre disponível e é a base da sua memória, mas...

A matéria também é a base da física, no entanto os geólogos não aprendem nada só olhando para as pedras. A teoria é que vai te ajudar a entender melhor o mundo jurídico. Uma teoria boa é um modelo que explica, de forma simples, uma realidade mais complexa. Se a teoria é complexa, só vale a pena aprender porque a realidade que ela tenta explicar é mais complexa ainda.

2. Estude sempre com a lei ao seu lado

A lei é sua amiga e é a base da sua memória. Cada olhada que você dá na Constituição ou no Código, durante o estudo, vai enchendo de significado a redação legal, os dispositivos. Depois, durante a prova, no concurso ou na audiência, tudo volta quando você olha de novo para aquele artigo, parágrafo, título, seja o que for.

Sem a teoria é muito difícil ver os significados e relações entre dispositivos que muitas vezes ficam longe uns dos outros, mas é nos dispositivos que está a nossa pedra. Além disso, os dispositivos mudam muito, então é necessário saber se está lendo uma teoria errada, ultrapassada ou simplesmente boba. A lei é um dos critérios para o raciocínio crítico sobre a teoria que está lendo.

Já que é assim, atenção à necessidade de sempre ler a lei atualizada até o exato momento em que se estuda. Uma fonte sempre atualizada é o site do Planalto.

3. Contraponha teorias.

Depois de entender bem uma teoria, é muito útil contrapor uma outra, para ver qual das duas melhor explica a realidade. Muitos autores de livros didáticos ficam repetindo as teorias mais populares, fazendo parecer que elas são o que você precisa aprender. Não são. O que precisa aprender é um jeito de resolver os problemas jurídicos. Teorias são ferramentas, portanto, e são boas apenas enquanto nos ajudarem na vida prática.

4. Memorize.

Um jeito é fazer um questionário de um jeito que fique fácil esconder as respostas. Lê-se a pergunta e se tenta responder, falando em voz alta. Depois se olha a resposta escrita e se passa para frente. Depois de correr o questionário umas quatro ou cinco vezes, geralmente já se consigue responder quase tudo. Dá para fazer isso com o Word, na visualização de estrutura de tópicos, mas eu sei, porque é científico, que existe um ganho substancial de eficácia na memorização quando a pessoa escreve à mão.

Outra coisa importante: é muito melhor ver a mesma matéria várias vezes que uma vez só. É melhor fazer um esqueminha ou resumo e estudá-lo durante 20 minutos, três vezes por semana, do que dedicar uma hora inteira, duma vez só. Deixar para estudar apenas no dia da prova, mesmo que durante seis ou sete horas, só não é pior que deixar de estudar.

Usando qualquer método, uma verdade é incontornável: quem não lembra o que estudou, não sabe. Entender é apenas o início, memorizar algumas coisas é essencial.

Durante esta fase, como sempre, mantenha a lei do seu lado, o segredo é encher cada palavra e cada vírgula de cada artigo, parágrafo, título ou alínea. Sempre do seu lado, sempre atualizada, a lei é sua melhor amiga.